O Supremo Tribunal Federal (STF) consolida a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por uma das maiores fraudes financeiras da história brasileira, estimada em bilhões de reais. A Segunda Turma da Corte formou maioria virtual de 3 a 0 (votos de relator André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques) para manter a detenção preventiva, determinada na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março.
O julgamento prossegue até 20 de março, aguardando o voto de Gilmar Mendes, presidente da Turma; Dias Toffoli se declarou suspeito e não participa. Vorcaro, transferido para a Penitenciária Federal de Brasília após passagens por São Paulo, é acusado de comandar organização criminosa, lavagem de dinheiro, monitoramento ilegal de autoridades e jornalistas via "milícia privada" e acesso a documentos sigilosos.
Troca de advogados e rumores de delação
A defesa de Vorcaro dispensou Pierpaolo Bottini, crítico de delações, e contratou José Luis Oliveira, experiente em acordos premiados como os da Lava Jato. A mudança, pós-maioria no STF, sinaliza negociações com PF e PGR por delação focada em "andar de cima" – políticos e aliados, poupando supostas ligações com ministros.
Investigadores rejeitam delação seletiva, apostando em depoimentos completos sobre festas milionárias no Banco Master que envolveram figuras ligadas ao ex-presidente Bolsonaro e possíveis desvios no INSS.
Bloqueio na CPMI e tensões políticas
Nesta semana, Mendonça ordenou o fechamento de "sala-cofre" na CPMI do INSS com dados de Vorcaro, após denúncias de vazamentos confirmadas pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana. A medida impede acesso a provas sobre fraudes previdenciárias, gerando críticas de parlamentares.
A imprensa internacional destacou a reviravolta, comparando o caso a escândalos como o Watergate pela rede de influência política e judicial. A PF segue perícias em celular de Vorcaro, revelando ameaças e ordens criminosas, enquanto empresas ligadas ao esquema tiveram atividades suspensas.
O caso expõe fragilidades no sistema financeiro e pressiona o Congresso por reformas no STF, com Vorcaro podendo delatar conexões que atingem o Palácio do Planalto e o Legislativo.